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Meu sonho


Meu Sonho

(Auta de Souza)

Eu tenho um sonho que no céu mora
Feito de luz e feito de amor,
Um sonho róseo como uma aurora,
Um sonho lindo como uma flor.

E eu vivo sempre, sempre sonhando,
O mesmo sonho de noite e dia
O mesmo sonho suave e brando
De minha vida toda a alegria.

Quando soluço, quando minh’alma,
Cheia de angústia, fica a chorar,
O sonho amado me traz a calma
E, então, minh’alma põe-se a rezar.

Quando, nas noites frias de inverno,
Eu tenho medo da tempestade,
Ele, o meu sonho, consolo eterno,
Transforma as sombras em claridade.

Quando no seio, choroso e louco,
Palpita, incerto, meu coração …
O sonho doce vem, pouco a pouco,
Trazer-me a graça de uma ilusão.

E eu canto e rio na luz dispersa
Deste dilúvio de fantasias …
Minh’alma voa no azul imersa
Buscando a pátria das harmonias.

Imagem doce, visão sagrada,
Quimera excelsa dos meus amores,
Pérola branca, delícia amada,
Bálsamo puro das minhas dores;

Ele, o meu sonho, farol que encanta,
Guia-me à pátria da salvação,
Sorriso ingênuo, relíquia santa,
Do relicário do coração!

“Em vez de estarmos sempre e exclusivamente ocupados com planos e cuidados para o futuro, ou de nos entregarmos à nostalgia do passado, nunca nos deveríamos esquecer de que só o presente é real e certo; o futuro, pelo contrário, apresenta-se quase sempre diverso daquilo que pensávamos”
Fonte: “Aforismos sobre a Sabedoria da Vida”
(Schopenhauer , Arthur)

apagão

“companheiro”

Rumo
(Alda Lara)

É tempo, companheiro!
Caminhemos…
Longe, a Terra chama por nós,
e ninguém resiste à voz
Da Terra…

Nela,
O mesmo sol ardente nos queimou
a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco,
a mesma Terra nos gerou!

Vamos, companheiro…
É tempo!

Que o meu coração
se abra à mágoa das tuas mágoas
e ao prazer dos teus prazeres
Irmão
Que as minhas mãos brancas se estendam
para estreitar com amor
as tuas longas mãos negras…
e o meu suor se junte ao teu
suor, quando rasgarmos os trilhos
de um mundo melhor!

Vamos!
que outro oceano nos inflama…
Ouves?
É a Terra que nos chama…
É tempo, companheiro!
Caminhemos…

“É tão vulgar ao reconhecimento esquecer, como à esperança o lembrar.”
(Gracián y Morales , Baltasar)

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