Retorno do Filho Pródigo
Aqui me tens, meu pai, de longe eu venho,
no corpo trago dor, no coração
nada sobrou – só pranto e aflição…
A herança tua perdi, nada mais tenho…
Deixa-me chorar em teu ombro agora,
recebe este filho que não sou mais;
imundo, tal qual porcos animais,
o chão pisei onde o pecado mora.
Pai, perdoa este teu filho ingrato
que, errante, cuspiu no próprio prato;
deixa-me dormir ali no celeiro…
Pelo pão lutarei, nada mais quero,
dá-me trabalho – é o que tanto espero,
trata-me como simples jornaleiro…
Francisco Ogeda

