É UM ABSURDO!
Alguém já ouviu falar no “Fome Zero”?
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Leia a reportagem abaixo extraída do Jornal de Brasília
“Churrasco estava podre
Moradores de favela carioca desenterram em área militar várias caixas de carne estragada e tiram a barriga da miséria
Parte de um carregamento de 76 toneladas de carne “sem condições de uso”, segundo a Receita Federal e o Ministério da Agricultura, foi desenterrada em uma área militar e usada em churrascos por moradores de Ricardo de Albuquerque, uma favela na Zona Norte do Rio.
As peças levadas do porto do Rio pelo Exército acabaram na churrasqueira dos vizinhos do Campo de Instrução de Gericinó (CIG). Ninguém foi atendido nos postos de saúde e no hospital da região com problemas relacionados a alimento.
Na quinta-feira, um caminhão do Exército despejou as caixas de carne num buraco no terreno a pedido da Receita. Logo depois, vizinhos invadiram o local e desenterraram as caixas, que eram carregadas por famílias inteiras.
O Comando Militar do Leste informou em nota oficial que “o Serviço de Patrulha do CIG percebeu a presença de populares, que residem nas imediações do campo, retirando a carne que havia sido enterrada”. Após expulsar os saqueadores, os militares transferiram o material para “uma área mais interna”, segundo a nota.
“As conseqüências geralmente aparecem 24 horas depois de a pessoa ingerir o alimento, mas estamos em alerta para qualquer caso”, disse o superintendente da Vigilância Sanitária, Victor Berbara, que afirmou não ter ocorrido na rede de saúde estadual da região casos de infecção alimentar. No posto de saúde, também não houve atendimentos deste tipo.
Segundo ele, a ingestão desta carne é “um risco muito grande”. “A má conservação da carne faz com que microorganismos se desenvolvam. Eles podem causar desde uma infecção simples até uma infecção generalizada, desidratação e, dependendo do caso, óbito”, disse.
Receita Federal e Ministério da Agricultura divergem sobre origem e destino da carne. Segundo nota da Receita, ela veio da Argélia “e foi abandonada pelo importador”. Conforme o ministério, a Argélia seria o destino. As caixas têm inscrições apontando como importador de alimentos Sarl Sahby Simex, em Rouiba, Argélia. O mesmo selo informa o Brasil como país de origem, mas aponta como exportador uma empresa na Alemanha, a International Meat.
Em consulta ao ministério, a Receita foi informada de que o carregamento estava “em desacordo com a legislação vigente” e foi recomendada sua destruição. Adesivos nas caixas indicavam, em inglês, a data de validade como 5 de outubro de 2007.
Picanha barata
Após desenterrarem diversas caixas de peças de carne – que iam de picanha (mais cara) a acém (mais barata) –, os moradores de Ricardo de Albuquerque, além de fazer churrasco, armazenaram e lucraram com a venda da carne.
Alguns moradores chegaram a usar carrinhos de mão para transportar as caixas, cujo peso variava de 20 kg a 25 kg. Houve quem armazenou a carne, aguardando avaliação da Vigilância Sanitária. Outros esperam o próximo domingo para a comemoração do Dia dos Pais.
Um grupo tentou lucrar com o saque e levou o carregamento para outras áreas do bairro para oferecer ao comércio e a quem não participou do saque.
Com o aumento repentino da oferta de carne, a lei do mercado imperou: o preço de cada caixa de 20 kg, independentemente da peça, girava em torno de R$ 20. Ou seja, o quilo saía por apenas R$ 1. Em um mercado local, a picanha custa R$ 13.”
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A casa
A mesa, filho, está posta
em brancura quieta de nata,
e em quatro muros que mostram sua cor azul
dando brilhos, a cerâmica.
Este é o sal, este o azeite
e ao centro o Pão que quase fala.
Ouro mais lindo que ouro do Pão
não está nem em fruta nem em retama,
e do seu cheiro de espiga e forno
uma fortuna que nunca sacia.
O partimos, filhinho, juntos,
com dedos duros e palma branda,
e tu o olhas assombrada
de terra preta que dá flor branca.
Abaixada a mão de comer,
que tua mãe também a abaixa.
Os trigos, filho, são do ar,
e são do sol e da enxada;
porém este Pão “cara de Deus”*
não chega as mesas das casas;
e se outras crianças não o tem,
melhor, meu filho, não o tocares,
e não tomá-lo melhor seria
com mão e mão envergonhadas
*No Chile, o povo chama ao pão de “cara de Deus”
