Um leitor amigo me presenteou com a alegria de um belo poema dedicado ao pai e com a devida permissão venho compartilhar dessa sensibilidade. Parabéns pela delicadeza; não tem presente mais gostoso do que receber um poema que deleita a alma e os olhos. Tenho certeza que ele amou a homenagem. Obrigada por enviar seu dom e deixar que todos leiam. Artemis
Herói Pessoal
Para Lourival Roque
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Ele não fez o gol do milênio,
Não inventou o celular,
Não venceu dezoito guerras
Contra dezoito inimigos invencíveis.
Ele acordou cedo, fez a barba e foi trabalhar.
Ele pagou o seguro do carro,
Depois me ensinou a ir soltando a embreagem devagarinho.
Nos dias de sangue e bronquite alérgica,
Ele correu comigo para o médico.
Nos corredores escuros da enfermaria,
Ele reaprendeu a rezar.
Nas madrugadas de sábado,
Quando eu não chegava em casa,
Ele descobria que tinha medo.
No dia seguinte,
Seu medo se traduzia em palavras duras.
Palavras que, no fundo, eram de amor.
Esse amor que também transborda no seu silêncio,
No seu olhar preocupado,
No seu carinho desajeitado de homem.
Pai,
Eu também não fiz o gol do milênio,
Não inventei o celular,
Não venci dezoito guerras,
Contra inimigos intratáveis.
Mas eu quero que meus filhos,
Se lembrem de mim,
Como eu me lembro de você:
Um homem certo e sereno.
Um homem cuja maior vitória
Não se vê estampada na galeria da fama,
Mas no brilho tranqüilo
Do riso sincero
De um filho feliz.
* Por Ronaldo Brito Roque
