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Arquivo da categoria ‘Artur da Távola’

Soneto Inascido

(Artur da Távola)
O poema subjaz.
Insiste sem existir
escapa durante a captura
vive do seu morrer.
O poema lateja.
É limbo, é limo,
imperfeição enfrentada,
pecado original.
O poema viceja no oculto
engendra-se em diluição
desfaz-se ao apetecer.
O poema poreja flor e adaga
e assassina o íncubo sentido.
Existe para não ser.

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POETAS
Poeta não é apenas o ser raro que faz versos. É alguém diferente da média, por isso em constante tentativa (frustrada) de se ajustar. É o vibrar de uma sensibilidade extra, que se julga privilegiada conquanto tida como defeituosa, subjetiva e inadaptada pela média das pessoas. O poeta é quem está nos lugares sem ficar, [...]

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PELAS RUAS
Passeio-me o eu
pelas calçadas da memória
onde a decadência não chegou
e aquele rapaz amoroso e bom
ainda faz serão e vestibular
para viver a vida ou morte
mas desafiar interrogações
básicas do ser.
Passeio-me o mim
deambular fugidio
de tanta vida não vivida
exceto nas paralelas
onde o ser se revela
e faz o que não viveu
ser memória ram
oculta no computador biografia
mas impressa no cine [...]

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APRENDIZADO
Quando chego aos confins
do si,
só encontro o mim
e não Deus.
Quando alcanço os limites
do sou,
onde Deus deveria estar
só encontro o eu, depois o nada.
Sou o meu limite,
Resta-me saber se fora de mim
é Deus o conteúdo do nada
(e lá reina a paz) (ou a morte, sua morada).
Perduram madrugadores os medos.
Pulula ansiosa a esperança.
Mas nada encontro além do [...]

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Retrato da atualidade brasileira
Há povos que organizam primeiro para depois fazer. Nós fazemos primeiro para organizar depois; caso ainda dê ou seja possível. Este é apenas um dos elementos típicos da maneira de ser brasileira. Nosso traço psicológico principal não é o pensamento. Somos um povo de sentimento e intuição, mais sentimento, ainda [...]

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