VERSOS ÍNTIMOS
(Augusto dos Anjos)
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão —esta pantera—
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma [...]
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“O Homem, que, nesta terra miserável, mora entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera.”
Publicado em Augusto dos Anjos em Junho 7, 2009 | 1 Comentário »
“Mas, de repente”
Publicado em Augusto dos Anjos em Junho 7, 2009 | Deixar um comentário »
A IDÉIA
(Augusto dos Anjos)
De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites de uma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e, depois, quer e executa!
Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, [...]
“Uma ânsia análoga à ânsia”
Publicado em Augusto dos Anjos em Junho 28, 2007 | 2 Comentários »
PSICOLOGIA DE UM VENCIDO
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epgênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas -
Que o sangue podre das [...]
“Que ninguém doma um coração de poeta!”
Publicado em Augusto dos Anjos em Maio 12, 2007 | 1 Comentário »
Vencedor
de Augusto dos Anjos
Toma as espadas rútilas, guerreiro,
E à rutilância das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração — estranho carniceiro!
Não podes?! Chama então presto o primeiro
[...]
“Vão-se sonhos nas asas da Descrença,voltam sonhos nas asas da Esperança”
Publicado em Augusto dos Anjos em Abril 23, 2007 | Deixar um comentário »
A Esperança não Murcha
de Augusto dos Anjos
A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.
Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta? [...]
