Sugestão
Sede assim — qualquer coisa
serena, isenta, fiel.
Flor que se cumpre,
sem pergunta.
Onda que se esforça,
por exercício desinteressado.
Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados já frios.
Também como este ar da noite:
sussurrante de silêncios,
cheio de nascimentos e pétalas.
Igual à pedra detida,
sustentando seu demorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
vivendo de nunca chegar a ser.
À cigarra, queimando-se em [...]
Arquivo da categoria ‘Cecília Meireles’
“serena, isenta, fiel”
Publicado em Cecília Meireles em Julho 29, 2009 | Deixar um comentário »
“Do que são feitos os dias?”
Publicado em Cecília Meireles em Julho 29, 2009 | Deixar um comentário »
De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.
Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inactuais esperanças.
De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
- do medo que encadeia
todas essas mudanças.
Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças…
*
(Cecília Meireles, in ‘Canções’)
“É preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim”
Publicado em Cecília Meireles em Maio 24, 2009 | Deixar um comentário »
A ARTE DE SER FELIZ
(Cecília Meireles)
Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
[...]
“o ritmo e o som da minha gargalhada”
Publicado em Cecília Meireles em Maio 20, 2009 | Deixar um comentário »
***
Gargalhada
(Cecília Meireles)
Homem vulgar! Homem de coração mesquinho!
Eu te quero ensinar a arte sublime de rir.
Dobra essa orelha grosseira, e escuta
o ritmo e o som da minha gargalhada:
Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah!
Não vês?
É preciso jogar por escadas de mármores baixelas de ouro.
Rebentar colares, partir espelhos, quebrar cristais,
vergar a lâmina das espadas e despedaçar estátuas,
destruir [...]
“leve”
Publicado em Cecília Meireles em Dezembro 4, 2008 | 1 Comentário »
Leveza
(Cecília Meireles)
Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.
E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.
