Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranqüilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
[...]
Arquivo da categoria ‘Cora Coralina’
“Semeia”
Publicado em Cora Coralina em Julho 24, 2009 | 2 Comentários »
Publicado em Cora Coralina em Julho 3, 2009 | Deixar um comentário »
SOU RAIZ
(Cora Coralina)
Sou raiz, e vou caminhando
sobre as minhas raízes tribais.
Velhas jardineiras do passado …
Condutores e cobradores, vós me levastes de mistura
com os pequenos e iletrados, pobres e remendados …
Destes-me o nível dos humildes em tantas lições de vida.
Passante das estradas rodageiras, boiadeiros e comissários,
aqui fala a velha rapsoda.
Escuto na distância o sonido augusto do [...]
“Aprenderá consigo”
Publicado em Cora Coralina em Setembro 16, 2007 | Deixar um comentário »
“…O dedinho da criança
um dia (estará você mais velho)
apontará o mostrador
sorrindo.
Decifrará os números,
aprenderá consigo
a leitura das horas:
Horas do batizado,
dos primeiros passos.
Horas da escola-
ida e volta.”
“que minha humildade seja como a chuva desejada caindo mansa, longa noite escura, numa terra sedenta e num telhado velho”
Publicado em Cora Coralina em Setembro 15, 2007 | 2 Comentários »
Humildade
(Cora Coralina)
Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.
Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.
Daí, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura,
numa terra sedenta
e num telhado velho.
Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas [...]
“A porta da Fortaleza”
Publicado em Cora Coralina em Setembro 14, 2007 | 3 Comentários »
A Procura
(Cora Coralina)
Andei pelos caminhos da Vida
Caminhei pelas ruas do Destino -
procurando meu signo.
Bati na porta da Fortuna,
mandou dizer que não estava.
Bati na porta da Fama,
falou que não podia atender.
Procurei na casa da Felicidade,
a vizinha da frente me informou
que ela tinha mudado
sem deixar novo endereço.
Procurei a porta da Fortaleza.
Ela me fez entrar: deu-me veste nova,
perfumou-me [...]
